São Paulo – Itu (SP) agosto 2019

Alessandro Scarlatti, Georg Friedrich Händel e Roma: o Barroco entre Sul e Norte

13 de agosto 13h São Paulo, Centro histórico, Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte.
Em colaboração com Consulado-Geral da Hungria em São Paulo, Instituto Italiano de Cultura em São Paulo e Colaboração Cultural do SESC Carmo.

17 de agosto 11h30 Itu, Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio.
Em colaboração com Consulado-Geral da Hungria em São Paulo, Instituto Italiano de Cultura em São Paulo, Prefeitura da Estância Turística de Itu, Museu da Música de Itu, Casa Amarela.

Recitais de Dalma Krajnyák

Durante as suas estadias romanas, o siciliano Alessandro Scarlatti (1660-1725) e o alemão Georg Friedrich Händel (1685-1759) gravitaram na órbita do Príncipe romano Francesco Maria Ruspoli, que hoje é reconhecido por ser um dos maiores mecenas da época: graças a ele, a capital europeia do Barroco foi teatro de um extraordinário encontro entre Sul e Norte, entre a escola barroca italiana e a tradição alemã. Nos anos 1707-1708, o Alemão viveu, apresentou e compôs dezenas de obras na casa do Príncipe, enquanto o Siciliano dedicou-lhe composições das mais destacadas dentro do seu catálogo. Em 1707, o recém-chegado Händel escreveu e apresentou em Roma a sua primeira peça de teatro musical de assunto devocional ou moral, Il trionfo del Tempo e del Disinganno, que também foi a última a ser encenada em Londres antes de ele morrer. Na mesma época, o Príncipe patrocinou a composição de Il giardino di rose de Scarlatti, uma obra moral que aborda as tensões políticas entre Roma e o Império germânico – Sul e Norte. Em 1708, o mecenato inspirado do Príncipe fez de maneira que os dois compositores se juntassem para realizar um ‘ciclo’ de oratórios (teatro musical de assunto religioso), que iniciou na Quaresma com a apresentação do Oratorio per la Passione (Paixão) de Scarlatti e terminou no dia da Pascoa, quando La Resurrezione de Händel, dedicada ao Príncipe, foi dada de maneira espetacular no seu Palácio na Piazza Santi Apostoli em Roma.

O recital de Dalma Krajnyák, ganhadora do Prêmio Ruspoli em 2017, apresenta um recorrido das quatro obras através das personagens de Pentimento ou ‘Arrependimento’ (Passione), Maria Cleofe (Resurrezione), Penitenza ou ‘Penitência’ (Il giardino di rose) e Disinganno ou ‘Desengano’ (Il trionfo). Dalma Krajnyák, que já se apresentou em São Paulo sob a regência do renomado músico argentino Manfredo Kraemer em 2018, será acompanhada por dois dos melhores músicos ‘barrocos’ brasileiros, João Guilherme Figueiredo (violoncelo) e Pedro Augusto Diniz (cravo).

Dalma Krajnyák alto
Pedro Augusto Diniz cravo
João Guilherme Figueiredo violoncelo

Alessandro Scarlatti (1660-1725), aria de Pentimento, do Oratorio per la Passione
«Come sola rimane l’infelice Sion… Spinta dal duolo fra le catene» (recitativo e aria)»

Georg Friedrich Händel (1685-1759), arias de Cleofe, de La Resurrezione HWV 47
«Piangete, si, piangete»
«Augelletti, ruscelletti»
«Vedo il ciel che più sereno»

Alessandro Scarlatti, arias de Penitenza, do oratorio Il giardino di rose
«Santa Religion… Se nascon tra spine» (recitativo e aria)»
«Io voglio pianger tanto»
«Con miei flagelli»
«Starò nel mio boschetto»

Georg Friedrich Händel, arias de Disinganno, do oratorio Il trionfo del Tempo e del Disinganno HWV 46a
«Se la bellezza perde vaghezza»
«Crede l’uom ch’egli riposi»
«Chi giá fu del biondo crine»

Dalma Krajnyák

Dalma Krajnyák, ganhadora do Concurso Internacional Ruspoli de Música Barroca 2017, é uma mezzosoprano de Hungria e se dedica ao repertório da música antiga como contralto solista. Recebeu sua graduação no Trinity Conservatory de Londres. Frequentou a Accademia Lirica de Osimo de Itália e participou em projetos barrocos e aulas com Romina Basso, Sara Mingardo e Vivica Genaux. Também ganhou o IX Concurso de Canto Barroco Fatima Terzo de Vicenza e foi ganhadora/bolsista da Fondazione Cini em Veneza. Ganhou experiência profissional na Itália, Inglaterra, Espanha, Hungria e recentemente na Alemanha com Göttingen Barock. Em 2018, estreou a ópera Enea in Caonia de Hasse, no Teatro Torlonia de Roma, e apresentou um programa de cantatas de Händel no Vaticano. Em agosto de 2018 cantou junto de Marília Vargas em São Paulo, na IV Itinerancia Ruspoli (Barroco Sacro), sob a direção de Manfredo Kraemer e, em setembro, foi Melanto em Il ritorno di Ulisse in pátria de Monteverdi, no Teatro Olimpico de Vicenza, ao lado de Marina De Liso e Furio Zanasi. Em 2019, foi o Evangelista na Paixão segundo S. João de Veneziano em Cracóvia, com a Cappella Neapolitana de Antonio Florio.

Pedro Augusto Diniz

Mestre pela Staatliche Hochschule für Musik em Trossingen, Alemanha, nos cursos Historische Tasten (2015) na classe de Marieke Spaans e Diego de Ares e em Musik des Mittelalters und Renaissance (2015) na classe de Kees Boeke e Claudia Caffagni, bacharel em cravo sob a orientação de Helena Jank pela Universidade de Campinas (UNICAMP-IA: 2010), formou-se também em cravo pela Escola Municipal de São Paulo sob a supervisão de Terezinha Saghaard (EMMSP: 2010). Estudou cravo com Alessandro Santoro na Escola de Música do Estado de São Paulo (EMESP: 2013). Pesquisa ativamente a música ibérica renascentista desde 2010, os concertos Metáforas pera falar zombando e Cancioneiro de Bolso realizados nos últimos anos pela CIA. das Antigas são os primeiros resultados destas pesquisas. É cravista do conjunto de música antiga da ECA-USP sob orientação de Mônica Lucas e Sérgio Carvalho. Integra outros conjuntos de música antiga na cidade de São Paulo, como o Abendmusik e o Audi Coelum.

João Guilherme Figueiredo

Começou a se dedicar ao violoncelo com Atelisa de Sales (Rio) e posteriormente com Alceu Reis, David Chew e Mareio Mallard. Em 1988, iniciou seus estudos na música e nos instrumentos dos séculos XVII e XVIlI, com a fundação dos Solistas de Câmara do Centro Cultural do Pró-Música de Juiz de Fora, com Luís Otávio Santos e Pedro Couri Neto. Em 1990, ingressou no Conservatório Real de Haia, na Holanda, na classe de Jaap ter Linden. Atuou como professor de violoncelo e viola da gamba em orquestras no Brasil e no exterior e participou de várias montagens teatrais. Desde a sua fundação (2000), participa das gravações publicadas pela Orquestra Barroca do Festival de Música Antiga de Juiz de Fora. Foi docente da Escola de Música do Estado de São Paulo e hoje é professor de violoncelo barroco e viola da gamba no Conservatório de Tatuí. Em 2012, fundou a Orquestra barroca do Conservatório de Tatuí em São Paulo. Também se dedica às artes clássicas do Oriente com especial atenção aos sistemas Hindustani e à música Árabe e Turco-Otomana. Em 2018, recebeu as comendas da ordem Cultural Carlos Gomes e do Cinquentenário das Forças de Paz da ONU, e, em 2019, a Chanceladoria da Ordem Cultural Carlos Gomes, tendo reconhecimento internacional.